A Ilusão da Comissão Fixa de 5.000€
Porque o Resultado Líquido - e não o valor da comissão - determina o sucesso financeiro
A Ilusão da Comissão Fixa de 5.000€: Porque o Resultado Líquido - e não o valor da comissão - determina o sucesso financeiro
Introdução: Porque é que esta conversa importa
A publicidade imobiliária com comissão fixa está a tornar-se cada vez mais visível. A mensagem é atractiva e simples:
“Venda o seu imóvel por 5.000€.”
Comparando com uma comissão tradicional de 5% + 23% de IVA, isto parece mais barato, mais rápido e mais eficiente. No entanto, simplicidade no marketing não equivale a optimização nos resultados.
A forma correcta de avaliar qualquer modelo de venda não é perguntar quanto custa, mas sim:
Quanto dinheiro fica comigo depois de a venda estar concluída?
Esse número - o resultado líquido - é o único resultado financeiramente relevante.
Autoridade nesta discussão exige mais do que opinião. Exige cálculos transparentes, lógica de mercado e realidade económica. É exactamente isso que se segue.
1. O primeiro erro: comparar comissões em vez de resultados
Comecemos pela comparação mais comum.
Comparação de manchete
Valor assumido do imóvel: 300.000€
Modelo de comissão profissional:
Comissão: 5% = 15.000€
IVA (23%) = 3.450€
Custo total de venda: 18.450€
Modelo de comissão fixa:
Valor anunciado: 5.000€ (IVA incluído)
Nesta fase, muitos proprietários concluem:
“Poupo 13.450€.”
Esta conclusão é incompleta, porque assume que o preço de venda é idêntico em ambos os modelos.
Na realidade, o preço de venda é influenciado por:
- Exposição e visibilidade
- Profundidade do universo de compradores
- Cooperação entre agentes
- Alavancagem na negociação
- Tempo no mercado
Por isso, a comparação correcta não é comissão versus comissão, mas sim:
Resultado Líquido = Preço de Venda − Custos Totais de Venda
Sem conhecer o preço alcançado com cada estratégia, a comparação é inválida.
Peça uma comparação por resultado líquido: intervalo esperado de venda, uplift de break-even, pressupostos de custo do tempo e um plano de acção claro.
2. Prova por cálculo: quando uma comissão maior produz um resultado líquido maior
Comparemos dois cenários realistas.
Cenário A - Modelo de comissão fixa
Preço de venda alcançado: 280.000€
Comissão fixa: 5.000€
Líquido para o proprietário:
280.000€ − 5.000€ = 275.000€
Cenário B - Modelo de comissão profissional (5% + IVA)
Preço de venda alcançado: 300.000€
Comissão: 15.000€
IVA (23%): 3.450€
Custo total: 18.450€
Líquido para o proprietário:
300.000€ − 18.450€ = 281.550€
Comparação de resultados
Líquido (comissão fixa): 275.000€
Líquido (profissional): 281.550€
Diferença:
281.550€ − 275.000€ = 6.550€ a mais para o proprietário
Apesar de pagar uma comissão mais elevada, o proprietário termina com mais dinheiro. A razão é simples: o preço vence a comissão.
3. Cálculo de break-even: quanto é que o agente tem de alcançar a mais?
Uma pergunta válida é:
“Quanto mais alto tem de ser o preço de venda para justificar a comissão?”
Vamos calcular isto com precisão.
Líquido (comissão fixa) = P − 5.000€
Líquido (comissão) = 93,85% × Q
(porque 5% + 23% de IVA = 6,15%)
Condição de break-even:
0,9385Q = P − 5.000€
Resolvendo para Q:
Q = (P − 5.000) ÷ 0,9385
Exemplo
Se o preço no modelo de comissão fixa = 280.000€:
Q = 275.000€ ÷ 0,9385 ≈ 293.020€
Ou seja:
Um aumento de 13.020€ (≈ 4,65%) é suficiente para igualar o resultado líquido do modelo de comissão fixa. Qualquer preço acima deste nível produz um melhor resultado para o proprietário.
4. Porque é que pequenas diferenças de preço dominam a discussão sobre comissões
Os proprietários focam-se em comissões em euros, enquanto os preços variam em percentagem.
| Valor do Imóvel | Variação de 3% | Variação de 5% |
|---|---|---|
| 200.000€ | 6.000€ | 10.000€ |
| 300.000€ | 9.000€ | 15.000€ |
| 500.000€ | 15.000€ | 25.000€ |
Uma melhoria modesta no preço supera rotineiramente a diferença de comissões.
5. Realidade do IRS: baixar o preço raramente melhora a riqueza líquida
Em Portugal, apenas 50% das mais-valias são sujeitas a IRS.
Exemplo
Preço de compra: 200.000€
Preço de venda: 400.000€
Mais-valia bruta: 200.000€
Parcela tributável: 50% = 100.000€
IRS a 20%: 20.000€
Se o imóvel vender por 380.000€:
O IRS desce para 18.000€
Mas o preço de venda desce 20.000€
Resultado líquido: pior.
Baixar o preço para reduzir imposto destrói riqueza. Uma estratégia profissional foca-se primeiro em maximizar o preço e, depois, em gerir a fiscalidade de forma correcta.
Podemos mapear os seus melhores e piores cenários e identificar o uplift de break-even que a sua estratégia tem de entregar.
6. O tempo no mercado tem um custo directo
Uma exposição fraca tende a alongar o período de venda.
Exemplo de custos mensais
Crédito habitação: 850€
Condomínio: 45€
Seguro e básicos: 25€
Total: 920€ / mês
Se a venda demorar mais 4 meses:
920€ × 4 = 3.680€
Uma exposição mais longa também reduz a força negocial e aumenta a pressão para desconto.
7. Cooperação entre agentes: porque é que angariações profissionais vendem mais depressa
A maioria das transacções bem-sucedidas acontece através de cooperação agente-para-agente.
Agentes profissionais investem fortemente em:
- Captação de compradores
- Publicidade
- Qualificação
- Coordenação jurídica
- Negociação
Nenhum agente profissional levará os seus compradores para uma transacção que:
- Não cubra os seus custos
- Ofereça remuneração pouco clara
- Coloque em risco a sua reputação
Imóveis sem condições de cooperação perdem acesso a compradores - e o preço sofre.
8. O princípio do “faz-tudo”: a experiência não é mecânica
Vender um imóvel não é “subir um anúncio”.
Tal como num bom profissional de reparações:
- Não basta “apertar um parafuso”
- É preciso saber qual, onde e porquê
Esse conhecimento vem de experiência, formação, investimento e contacto com transacções reais. Profissionais reconhecem estrutura e processo - não atalhos.
9. A verdadeira estrutura de custos de uma venda bem feita
Uma pergunta séria tem de ser respondida com honestidade:
- Quem paga as plataformas de publicidade nacionais e internacionais?
- Quem financia a exposição diária do anúncio?
- Quem redige contratos e valida cláusulas (advogados/solicitadores)?
- Quem prepara documentação (equipa administrativa)?
- Quem gere conformidade, follow-up e coordenação?
- Quem paga actualizações regulares de desempenho (mudanças de mercado, contactos, feedback)?
- Quem liga activamente e envolve outros agentes para trazerem compradores qualificados ao seu imóvel?
Estas não são actividades teóricas. São custos operacionais recorrentes.
Se o valor total é 5.000€, então algo tem de ceder:
- Menor investimento
- Menos tempo dedicado
- Menor esforço de cooperação
E quando o investimento e a cooperação diminuem, o preço é a primeira vítima.
Pergunta final: onde posiciona o seu imóvel?
Há uma analogia simples que explica de forma clara o posicionamento no mercado:
Uma garrafa de água custa 0,50€ no supermercado, 2€ no bar da praia, 3€ no aeroporto e 4€ no avião.
É a mesma garrafa.
O valor não diminui - muda o ambiente.
A mesma lógica aplica-se aos imóveis.
Onde quer posicionar o seu activo?
Coloca-o discretamente e espera que seja descoberto -ou coloca-o no ambiente mais forte, com visibilidade, confiança, procura e concorrência?
A única comparação racional
Para comparar modelos de venda com justiça, calcule:
- Resultado líquido após todos os custos
- Uplift de break-even no preço
- Custo de manter no mercado (tempo)
- Impacto fiscal de um preço mais alto
- Acesso a compradores via cooperação entre agentes
Não optimize a comissão.
Otimize o resultado.
É assim que profissionais avaliam valor - e é assim que activos sérios devem ser vendidos.
Estrutura de prova (cálculos + explicações que validam as afirmações)
A) Primeiros princípios: porque as comparações só por comissão são matematicamente inválidas
A afirmação central do artigo é:
Resultado Líquido = Preço de Venda − Custos Totais de Venda
Isto não é um slogan - é uma identidade. Se o seu preço de venda muda, o seu resultado muda, mesmo que a sua comissão seja mais baixa.
Uma comparação apenas de comissões assume implicitamente:
Preço no Modelo 1 = Preço no Modelo 2
Mas o próprio método de venda existe para influenciar o preço (alcance do marketing, concorrência de compradores, alavancagem negocial, cooperação). Se o preço difere, a comparação apenas por comissão cai por terra.
B) Validar a matemática do IVA usada no exemplo de comissão
O artigo compara “5% + 23% de IVA” com um valor fixo. Em Portugal continental, a taxa normal de IVA é 23%.
Validação numérica
Valor do imóvel: 300.000€
Comissão a 5%: 300.000€ × 0,05 = 15.000€
IVA a 23% sobre a comissão: 15.000€ × 0,23 = 3.450€
Custo total de venda: 15.000€ + 3.450€ = 18.450€
C) Validar “o preço vence a comissão” com a comparação de cenários
Cenário A: 280.000€ − 5.000€ = 275.000€
Cenário B: 300.000€ − 18.450€ = 281.550€
Diferença: 281.550€ − 275.000€ = 6.550€
Isto prova a afirmação: é possível que o modelo com maior custo deixe o vendedor com mais dinheiro, se entregar um preço de venda suficientemente superior.
D) Cálculo de break-even: mostrar exactamente de onde vêm os 93,85%
O artigo afirma: “Líquido no modelo de comissão = 93,85% × Q (porque 5% + 23% de IVA = 6,15%).”
Passo a passo
Taxa de comissão = 5%
IVA sobre a comissão = 23% de 5% = 0,23 × 5% = 1,15%
Taxa efectiva total = 5% + 1,15% = 6,15%
Percentagem líquida para o vendedor = 100% − 6,15% = 93,85%
Equação de break-even: 0,9385Q = P − 5.000
Resolvendo: Q = (P − 5.000) ÷ 0,9385
Para P = 280.000€: Q = 275.000€ ÷ 0,9385 ≈ 293.020€ (arredondado).
E) Validar a tabela de dominância de 3%/5%
Variações de 3% e 5% são calculadas directamente: Valor × 0,03 e Valor × 0,05. A aritmética coincide com a tabela, mostrando porque pequenas variações percentuais no preço podem superar diferenças de comissões.
F) Realidade do IRS: validar a regra de inclusão de 50% e o resultado do exemplo
O artigo usa a regra comum de inclusão em que apenas 50% da mais-valia é considerada para IRS (dependendo do regime aplicável e da situação pessoal).
Validação do exemplo:
Se compra = 200.000€ e venda = 400.000€: mais-valia bruta = 200.000€.
Parcela tributável (50%) = 100.000€. A 20% = 20.000€.
Se venda = 380.000€: mais-valia bruta = 180.000€.
Parcela tributável (50%) = 90.000€. A 20% = 18.000€.
Imposto poupado = 2.000€, mas preço perdido = 20.000€, logo o efeito líquido é −18.000€ neste cenário.
G) Custo de manter no mercado: validar o cálculo de 3.680€
Custo mensal total = 850€ + 45€ + 25€ = 920€.
Quatro meses extra: 920€ × 4 = 3.680€.
H) Cooperação entre agentes: converter a lógica em mecânica de acesso a compradores
Menor cooperação reduz o acesso a compradores qualificados. Menos propostas qualificadas enfraquece a concorrência, o que aumenta a probabilidade de mais tempo no mercado e/ou um preço aceite mais baixo. Isto é mecânica de mercado: a concorrência é um motor de preço.
I) Estrutura de custos: porque “algo tem de ceder” é inevitável em modelos de custo fixo
Se a receita é limitada enquanto o trabalho e a distribuição são variáveis, as alavancas operacionais são o investimento, o tempo por angariação e o esforço de cooperação. Se o investimento e a cooperação diminuem, o preço é frequentemente o primeiro output a sofrer.
Se quer um plano objectivo de preço, exposição, cooperação e negociação - com uma comparação por resultado líquido - fale connosco e analisamos o seu caso.
Fontes oficiais portuguesas referenciadas para enquadramento do IVA e do IRS (mais-valias).
- Taxas de IVA em Portugal (Gov.pt): gov.pt
- CIRS Artigo 43 (Portal das Finanças): info.portaldasfinancas.gov.pt
- Código do IRS consolidado (Diário da República Electrónico): diariodarepublica.pt
- Landing page RealKasa para vendedores: realkasa.pt/lead/seller
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