Tendências e Análise de Mercado

Mercado Imobiliário em Portugal 2026: Tendências, Oportunidades e Riscos no Residencial e Comercial

Jan 01, 2026 7 min de leitura
Análise de Mercado • Portugal • 2026
Imobiliário Residencial e Comercial em 2026: evolução, perspetivas, oportunidades e riscos
Entramos em 2026 com um mercado residencial pressionado pela acessibilidade e uma componente comercial a beneficiar de uma retoma clara do investimento. Neste artigo, reúno os principais sinais, números e implicações práticas para proprietários, investidores e empresas.
Data: 01 de janeiro de 2026 Autor: Bruno Aragão (Consultor Imobiliário) Mercados: Residencial • Comercial
1) O que mudou no residencial (2024–2025) e o que isso significa para 2026

O mercado residencial português chega a 2026 com um paradoxo claro: há procura, mas o “match” entre preço pedido e capacidade de compra tornou-se mais difícil. Em 2025, estimou-se a venda de cerca de 170 mil casas (aprox. +9% face a 2024), mas com desaceleração no ritmo de crescimento, sinalizando limites de acessibilidade e maior seletividade dos compradores.

Leitura prática: em 2026, o comprador tende a negociar mais, comparar mais e penalizar imóveis que não estejam bem posicionados (preço, qualidade, eficiência energética, localização).
Referências: estimativas de transações 2025 e leitura de “estabilização/desaceleração”.

Do lado dos preços, a pressão manteve-se visível em 2025. Por exemplo, indicadores reportaram variações homólogas elevadas no 2.º trimestre de 2025 (ex.: +19%). Em termos de política pública, o tema “habitação” continuou no centro do debate, com a estratégia “Construir Portugal” e propostas/medidas associadas a incentivos para aumentar a oferta e viabilizar habitação a preços/rendas moderadas.

Perspetiva 2026 (residencial)
  • Estabilidade cautelosa: menos impulsividade, mais racionalidade na decisão.
  • Oferta limitada: sem aumento rápido da construção, a pressão não desaparece “de um dia para o outro”.
  • Mercado mais exigente: imóveis “comuns” precisam de estratégia (posicionamento, apresentação, distribuição e negociação).
  • Arrendamento em foco: procura estrutural e relevância crescente do “build-to-rent” e portfólios de renda.
Em ciclos de ajuste, o preço deixa de ser apenas “um número” e passa a ser um argumento que tem de ser sustentado por dados, comparáveis e narrativa comercial consistente.
2) O que mudou no comercial (2025) e o que isso sugere para 2026

No imobiliário comercial, 2025 foi amplamente descrito como um ano de retoma: até ao final do 3.º trimestre de 2025, reportou-se investimento em Portugal de ~€1,8 mil milhões (cerca de +60% face ao período homólogo). Retalho e hotelaria tiveram particular destaque no mix de investimento, e a procura por ativos de qualidade manteve-se resiliente.

Perspetiva 2026 (comercial)
  • Liquidez a regressar: com estabilização e melhor visibilidade, o capital institucional tende a ser mais ativo.
  • Prime vence: qualidade e localização premium mantêm “pricing power”, enquanto ativos obsoletos enfrentam maior pressão.
  • Logística e industrial: sustentados por cadeias de abastecimento, e-commerce e procura por eficiência.
  • Alternativos: residências de estudantes, saúde e outros nichos com procura estrutural.
3) Oportunidades em 2026 (com abordagem estratégica)
Habitação acessível Arrendamento moderado Reposicionamento Logística Ativos alternativos Eficiência energética

Se as medidas de incentivo fiscal e enquadramentos de “preço/renda moderada” avançarem conforme discutido, abre-se espaço para projetos com melhor viabilidade económica no segmento de acessibilidade — mas com um ponto crítico: o impacto é gradual e depende de execução, regulamentação e capacidade de transformar intenção em obra entregue.

Oportunidade Onde faz mais sentido Chave de execução
Arrendamento (portfólios) Centros urbanos e zonas com procura contínua Gestão profissional, rendas competitivas, baixa vacância
Reposicionamento (reabilitação/ESG) Edifícios com boa localização mas desempenho fraco Eficiência energética + melhoria de produto + nova narrativa
Comercial prime Eixos consolidados (escritórios, retalho dominante, hotelaria) Qualidade, contrato/ocupação sólida, liquidez de saída
Logística Proximidade a hubs e corredores de distribuição Localização + especificações técnicas + pipeline real
4) O que nos dizem os gráficos do Banco de Portugal (BPstat) sobre preços e ciclos

Os gráficos desse domínio mostram, em essência, que os preços das casas em Portugal têm subido de forma muito significativa nos últimos anos, tanto para habitação nova como usada, com algumas quebras pontuais em períodos de maior incerteza económica.

Ideia central (PT)

A tendência de longo prazo é claramente ascendente, com as curvas de preços a mostrarem valorizações acumuladas bem acima do crescimento dos salários médios e do próprio PIB, o que ajuda a explicar a perceção generalizada de “casas cada vez mais caras”.

Observam-se fases de aceleração (anos de forte procura, juros baixos e investimento estrangeiro) e momentos de arrefecimento, em que a inclinação das curvas diminui, normalmente associados a choques externos ou subida das taxas de juro.

Possíveis ângulos para o blog (PT)
  • “Da crise à euforia”: mostrar como, após a crise financeira, o mercado imobiliário passou de queda ou estagnação para um ciclo prolongado de valorização, com impacto direto no acesso à habitação.
  • “Casas mais caras que a economia”: comparar visualmente a subida dos preços das casas com outros indicadores (rendimentos, inflação geral), destacando o desalinhamento.
  • “O que esperar daqui para a frente?”: usar a recente quebra/abrandamento da curva para discutir se é um simples ajustamento temporário ou o início de um novo ciclo, articulando fatores como juros, rendimento das famílias e políticas públicas.
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Nota: este artigo é informativo e reflete tendências e dados públicos/relatórios. Não constitui aconselhamento financeiro/fiscal.


Fontes (links)

Seleção de fontes públicas utilizadas como referência factual para números e enquadramentos.

© 2026 Bruno Aragão @ eXp RealKasa. Publicação para fins informativos.